BAP não consegue cumprir com o que ele mesmo criticava no Flamengo
Resumo rápido
- O Flamengo tem até 8 de agosto para alterar a lista de inscritos da Libertadores sem reforços anunciados até o momento na segunda janela de 2026.
- O foco atual da diretoria é a contratação de Luiz Henrique, após a recusa de Thiago Almada, que acertou com o River Plate.
- Antes de assumir a presidência, Bap criticava a demora em contratações e cobrava planejamento antecipado, modelo que raramente foi seguido em suas cinco janelas de gestão.
- O diretor de futebol José Boto defende cautela e paciência nos investimentos, afirmando que o clube não pagará valores acima da realidade financeira.
O Flamengo vive dias de pressão no mercado da bola com o aproximar do encerramento do prazo para alterações na lista de inscritos da Libertadores, marcado para 8 de agosto. A diretoria rubro-negra ainda não anunciou reforços para esta segunda janela de transferências de 2026. Após ver o meia Thiago Almada fechar com o River Plate, o clube concentrou suas atenções na tentativa de contratar o atacante Luiz Henrique.
A situação atual contrasta diretamente com as antigas cobranças feitas por Luiz Eduardo Baptista, o Bap, antes de assumir a presidência do clube. Em outubro de 2024, durante participação no Flow Sport Club, Bap criticou a demora histórica da gestão flamenguista em fechar contratações. Na época, ele defendeu que a diretoria deveria antecipar as negociações para que os novos atletas chegassem prontos logo na abertura do mercado.
Para fundamentar seu argumento, o atual presidente citou exemplos de rivais nacionais como Cruzeiro, Botafogo e Palmeiras. Ele destacou que esses clubes costumavam trazer reforços entre o final de abril e o início de maio para realizar pré-temporada separada, estreando logo no dia em que a janela abria, em 10 de julho. Na mesma entrevista, Bap questionou a utilidade de ter dinheiro em caixa sem um planejamento que garantisse a chegada dos atletas a tempo.
A prática da gestão de Bap, contudo, tem repetido o cenário criticado por ele no passado. Desde que assumiu o cargo máximo do clube, o Flamengo participou de cinco janelas de transferências, mas apenas duas contratações seguiram o modelo idealizado: Jorginho, na janela excepcional do Mundial de Clubes de 2025, e Vitão, anunciado três dias após a abertura do mercado em janeiro deste ano. Nas demais ocasiões — incluindo as chegadas de Juninho, Danilo, Saúl, Emerson Royal, Samuel Lino, Jorge Carrascal, Andrew e Lucas Paquetá —, os reforços só foram oficializados após o início das inscrições.
Enquanto busca uma peça para o setor ofensivo, o diretor de futebol José Boto adota uma postura de cautela e paciência nas tratativas. O dirigente afirmou recentemente que o clube negocia com três jogadores e que não vai pagar mais do que deve ou pode. Boto reforçou o discurso ao falar sobre a tratativa frustrada por Thiago Almada, ressaltando que negociações de alto investimento exigem calma, embora o clube não vá esperar eternamente.
Sem o acordo por Almada, a cúpula rubro-negra intensificou os esforços por Luiz Henrique. A movimentação ocorre justamente na reta final do prazo para as mudanças na Libertadores, colocando à prova a capacidade da diretoria em agir com rapidez no mercado.
