Caso De la Cruz expõe divergência entre Jardim e departamento médico do Flamengo
Resumo rápido
- Divergência entre comissão técnica e departamento médico do Flamengo veio à tona no caso De la Cruz.
- Leonardo Jardim vetou a escalação imediata do meia após a Copa do Mundo, priorizando o controle de carga física.
- O uruguaio atuou por apenas 14 minutos contra o Internacional, levou amarelo e suspensão para o próximo jogo.
- O zagueiro Léo Ortiz viveu situação semelhante anteriormente, com seu retorno adiado por exigência do treinador.
Nos bastidores do Ninho do Urubu, a gestão da forma física dos atletas tem gerado atritos recorrentes. O caso mais recente envolve o meia Nicolás De la Cruz, cuja situação evidenciou uma divergência clara de critérios entre a comissão técnica comandada por Leonardo Jardim e o departamento médico do Flamengo.
Embora o jogador uruguaio tenha recebido alta médica logo após o término da Copa do Mundo, o treinador português vetou sua utilização imediata. Para Jardim, o camisa 18 ainda não apresentava o condicionamento físico ideal para suportar o ritmo exigido nas partidas oficiais.
Durante a reapresentação do elenco, De la Cruz passou por testes rigorosos de força, potência e resistência. Nos exames, o atleta relatou um leve incômodo na parte anterior da coxa, mas as imagens não apontaram nenhuma lesão estrutural.
Ainda assim, o meia foi submetido a um cronograma de preparação separado do grupo principal antes de ser reintegrado. Com base nessa cautela, Leonardo Jardim optou por preservar o jogador nos confrontos contra Chapecoense e São Paulo pelo Campeonato Brasileiro.
Na época, o comandante justificou que o retorno tardio da Copa, somado ao baixo volume de treinos, exigia um controle rigoroso de carga. A prioridade da comissão técnica era evitar qualquer risco de uma nova lesão muscular de longa duração.
O retorno oficial de De la Cruz aos gramados aconteceu apenas no empate com o Internacional. Acionado na reta final do confronto, o uruguaio atuou por apenas 14 minutos, mas acabou advertido com um cartão amarelo e cumprirá suspensão automática contra o Vitória, no próximo domingo (9).
Este episódio, contudo, está longe de ser um caso isolado nos bastidores do clube carioca. Antes do Mundial, a recuperação do zagueiro Léo Ortiz também provocou divergências internas na avaliação do departamento de futebol.
Liberado pela equipe médica após uma lesão simples, o defensor esperava um retorno rápido aos gramados. No entanto, ao ser reavaliado pela comissão técnica, constatou-se que o atleta carecia do condicionamento necessário, o que estendeu seu período de transição.
Em declaração pública na época, Leonardo Jardim defendeu sua postura rigorosa. O treinador pontuou que a cicatrização clínica não atesta, por si só, a aptidão para competir em alto rendimento no futebol brasileiro.
Enquanto os médicos focam na recuperação patológica dos atletas, a comissão técnica adota uma filosofia de total prudência física. Essa diferença de entendimentos consolida a exigência de Jardim por atletas com pleno ritmo de jogo antes de irem a campo.
