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De 18 para 12: as bets já estavam saindo do futebol brasileiro antes da MP

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O manifesto assinado pelo Flamengo e por mais sete clubes trata a restrição às apostas como uma ruptura súbita. Os números do próprio mercado contam uma história diferente, e ela começou antes de qualquer medida provisória.

Em 2025, dezoito clubes da Série A tinham casa de apostas como patrocinador máster. Em 2026, são doze. É uma queda de 33% em um ano, sem proibição nenhuma — apenas o mercado se ajustando depois do pico que veio com a regulamentação.

Esse dado importa porque desmonta a premissa central do debate. A discussão está sendo travada como se houvesse duas opções: manter o modelo atual ou destruí-lo por decreto. Mas o modelo atual já está encolhendo sozinho. A regulamentação trouxe custo de conformidade, o setor se concentrou em menos operadores maiores, e os contratos menores foram os primeiros a não ser renovados.

Para o Flamengo, isso tem uma leitura específica. O clube está do lado certo dessa concentração: a Betano é uma das operadoras que ficaram, e o contrato de R$ 268,5 milhões anuais é o maior do país. Quem está sendo espremido não é quem assinou o manifesto com mais destaque — é o clube médio, que perdeu o patrocinador e não achou outro.

Há uma consequência prática nisso que o torcedor deveria acompanhar. Se a receita de aposta já vinha se concentrando nos grandes, uma proibição não nivela o campeonato: ela tira proporcionalmente mais de quem já tinha menos. O efeito de uma MP restritiva seria empurrar o Brasileirão para uma desigualdade ainda maior do que a de hoje.

Nada disso responde se a proibição é certa ou errada. Mas qualquer análise que trate 2026 como o ano em que as bets estavam no auge está olhando para o gráfico errado. O auge foi 2025. O que está em discussão agora é o que fazer com a descida.

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