Estudiantes é a semifinal mais perigosa que o Flamengo poderia ter pegado
O sorteio das semifinais da Libertadores colocou o Flamengo diante do Estudiantes, e a leitura imediata da torcida foi de alívio: entre os quatro semifinalistas, três são brasileiros, e o argentino parecia o nome menos assustador da lista. Essa leitura é compreensível. Ela também é, provavelmente, a mais perigosa disponível.
Comece pelo que o chaveamento significa na prática. Flamengo, Fluminense e Palmeiras dividem o mesmo calendário, o mesmo desgaste e, em boa medida, o mesmo repertório — times brasileiros se enfrentam o ano inteiro e se conhecem de cor. O Estudiantes não entra nessa lógica. É o único adversário que o Flamengo não vai reencontrar no Brasileirão daqui a três semanas, e o único cujo jogo o elenco não decifra por hábito.
Há um segundo ponto, e ele é histórico. Mata-mata de Libertadores contra argentino tem uma gramática própria: jogo truncado, falta tática, tempo queimado, arbitragem sob pressão. É um tipo de partida que não se resolve por qualidade individual, e o Flamengo tem exatamente o perfil de elenco que sofre quando o jogo deixa de ser sobre qualidade individual.
O terceiro ponto é o mais incômodo. Eliminar dois brasileiros pelo caminho — como o vencedor de Fluminense e Palmeiras terá feito — produz um finalista testado. Chegar à final tendo passado por um argentino em dois jogos de 90 minutos produz outra coisa: um time que ainda não sabe como reage a um confronto continental de verdade nesta temporada.
Nada disso diz que o Flamengo vai cair. Diz que o time entra na semifinal com o adversário mais difícil de preparar e a torcida mais convencida de que já está na final. Essa combinação é a que costuma custar caro.
As idas acontecem em 13 e 14 de outubro, e as voltas em 20 e 21. Entre uma e outra tem Brasileirão, e é aí que a conta pode ficar pesada — mas isso é assunto para outra análise.
