Filipe Luís lidera a Ligue 1 e o Flamengo lidera o Brasileirão: quem levou a melhor no divórcio?
Em 18 de setembro, o Monaco venceu o Lens por 2 a 1, manteve a invencibilidade e assumiu provisoriamente a liderança da Ligue 1. O treinador é Filipe Luís, que deixou o Flamengo em março e assumiu o clube francês em julho, com contrato até junho de 2028. No mesmo período, o Flamengo lidera o Brasileirão e está na semifinal da Libertadores.
Os dois estão bem. É por isso que a comparação é interessante — e é por isso que ela precisa ser feita com cuidado.
A tentação da torcida é transformar isso em veredicto: ou o clube errou ao deixá-lo sair, ou ele fez bem em sair. Nenhuma das duas conclusões se sustenta com quatro meses de Ligue 1 e meia temporada de Brasileirão. O que dá para afirmar é mais modesto e mais útil: a separação não produziu perdedor, e isso é raro.
Vale lembrar o que ele construiu aqui. A passagem de Filipe Luís pelo Flamengo rendeu Copa do Brasil, Libertadores, Brasileirão, Carioca e Supercopa Rei. Não é um currículo de treinador em formação — é um ciclo vencedor completo, feito por alguém em início de carreira no banco. Clube nenhum despacha isso com naturalidade, e o fato de a saída ter acontecido em março sugere que havia razões que não estavam no campo.
Do lado francês, o que impressiona não é a liderança provisória em setembro, que a tabela pode desmanchar em duas rodadas. É que a primeira experiência europeia dele tenha começado sem período de adaptação visível. Treinador brasileiro estreando na Europa costuma passar por uma fase de tradução — de idioma, de arbitragem, de cultura de vestiário. Essa fase, até aqui, não apareceu.
A pergunta honesta não é quem ganhou. É o que acontece em maio, quando as duas temporadas terminarem e der para comparar troféu com troféu. Até lá, qualquer veredicto é torcida disfarçada de análise.
