Jardim e Filipe Luís: como comparar dois projetos sem fazer injustiça
Com Filipe Luís liderando a Ligue 1 pelo Monaco e o Flamengo de Leonardo Jardim na ponta do Brasileirão, a comparação entre os dois virou assunto obrigatório na torcida. Ela é legítima. Feita do jeito que costuma ser feita, é inútil.
O erro mais comum é comparar resultado com resultado. Um lidera a Ligue 1 em setembro, o outro lidera o Brasileirão em setembro — e daí não sai conclusão nenhuma, porque os campeonatos, os elencos e os pontos de partida são diferentes demais.
A comparação que produz informação é outra, e ela tem três perguntas.
A primeira: o que cada um recebeu? Filipe Luís assumiu um Monaco que não era dele, em julho, com elenco montado por outra gestão. Jardim assumiu um Flamengo campeão, com elenco vencedor e a obrigação de não estragar. São desafios opostos — construir e preservar — e exigem competências diferentes.
A segunda: o que aconteceu com o time quando as coisas deram errado? Essa é a pergunta que separa treinador bom de treinador de momento, e ela só pode ser respondida depois de uma sequência ruim. Nenhum dos dois passou por uma até aqui nesta temporada, o que significa que a informação mais importante ainda não existe.
A terceira: o que o time faz que não fazia antes? Aqui está o critério mais honesto, e o mais difícil de medir em setembro. Um treinador deixa marca quando o time adquire um comportamento que não tinha — uma forma de pressionar, de sair jogando, de se comportar sem a bola.
O Flamengo, por ora, dá um sinal misto. Chegou à semifinal da Libertadores empatando em casa, com os próprios jogadores dizendo que o gramado impediu o controle de bola e que o jogo mais caótico acabou ajudando. É cedo para transformar isso em veredicto sobre Jardim.
A resposta honesta é que ainda não dá para comparar. E que tratar liderança de setembro como prova é o tipo de pressa que produz injustiça com os dois.
