O 1 a 1 com o Del Valle foi pior do que o placar sugere
O Flamengo está na semifinal da Libertadores, e isso é o que vai ficar na tabela. Mas a forma como a classificação veio — um empate em 1 a 1 no Maracanã, com gol de Arrascaeta — merece uma leitura menos generosa do que a que a comemoração produziu.
Classificar em casa empatando é sempre um sinal ambíguo. Significa que o time controlou o suficiente para não perder, e significa também que não conseguiu resolver um confronto que, pela diferença de elenco e de orçamento, deveria ter resolvido com folga. O Independiente del Valle é um clube formador, que vende seus melhores jogadores todo ano. Levar o jogo até o fim em aberto, no Maracanã, é mais mérito deles do que do Flamengo.
O que os próprios jogadores disseram depois é revelador. Léo Ortiz avaliou que o campo ruim acabou ajudando o time pelo futebol que foi apresentado. Arrascaeta apontou que o gramado irregular dificulta a proposta de jogo e atrapalha o controle de bola. Rossi classificou o estado do campo como inacreditável e mencionou lombadas nas duas áreas.
Essas declarações são, tecnicamente, uma explicação. São também uma admissão. Um time que depende de controle de bola e de circulação para impor superioridade está dizendo que não conseguiu jogar do seu jeito — e que foi beneficiado por isso, porque o jogo ficou mais caótico e o caos nivela. É um elogio ao resultado e uma crítica à atuação na mesma frase.
A pergunta que fica para outubro é simples: contra o Estudiantes, em dois jogos, o caos vai ajudar de novo? Mata-mata contra argentino costuma ser decidido justamente no jogo truncado, na bola parada, no erro individual. Se o Flamengo entrar contando que o campo ruim faz o serviço, entra com a estratégia errada.
A classificação é real e vale o que vale. A atuação não sustenta o otimismo que veio junto com ela.
