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O que a campanha do Flamengo em 2026 tem de diferente

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Com 57 pontos em 27 rodadas, o Flamengo faz uma campanha de líder — mas de líder por pouco, com o Palmeiras a um ponto. Vale olhar o que essa campanha tem de característico, porque ela não se parece com as anteriores em um aspecto importante.

O Flamengo dos últimos anos foi, na maior parte do tempo, um time que construía vantagem e administrava. A campanha de 2026 tem outro formato: é uma campanha de disputa ponto a ponto, na qual a liderança nunca virou conforto. Isso muda o tipo de desgaste. Administrar vantagem é caro fisicamente; disputar cada rodada é caro fisicamente e mentalmente.

Há um segundo traço, e ele vem de uma mudança estrutural: a temporada começou com troca no comando. Filipe Luís deixou o clube em março, depois de uma passagem que rendeu Copa do Brasil, Libertadores, Brasileirão, Carioca e Supercopa Rei. Leonardo Jardim assumiu a sequência. Toda transição de treinador cobra um período de ajuste, e uma campanha que chega em primeiro apesar dessa troca diz algo sobre a base do elenco.

O terceiro traço é o que o torcedor menos gosta de ouvir: o Flamengo está na frente sem ter jogado o seu melhor futebol de forma consistente. A classificação sobre o Independiente del Valle veio de um empate em casa, com os próprios jogadores apontando que o gramado atrapalhou o controle de bola e, nas palavras de Léo Ortiz, acabou ajudando pela forma como o jogo ficou.

Somando as três coisas, chega-se a uma conclusão que serve de alerta e de elogio ao mesmo tempo. O Flamengo lidera com margem mínima, em transição de comando, sem ter atingido o teto. Isso significa que há espaço para melhorar — e significa também que, se a melhora não vier nas onze rodadas finais, um ponto de vantagem é exatamente o tipo de margem que não perdoa.

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