O que o Monaco enxergou em Filipe Luís antes do mercado brasileiro
Filipe Luís foi anunciado pelo Monaco em 6 de julho de 2026, com contrato até junho de 2028, na sua primeira experiência como treinador na Europa. Entre a saída do Flamengo, em março, e o anúncio, passaram-se quase quatro meses em que ele ficou sem clube. Vale perguntar por que o mercado brasileiro não o contratou nesse intervalo.
A resposta diz mais sobre o mercado do que sobre ele.
Treinador brasileiro com ciclo vencedor completo — Copa do Brasil, Libertadores, Brasileirão, Carioca e Supercopa Rei — deveria ser disputado no dia seguinte à saída. Não foi. E a explicação mais provável não é falta de interesse, e sim o modelo de contratação que prevalece por aqui: clube brasileiro contrata treinador quando demite o anterior, geralmente em crise, geralmente para apagar incêndio. Não se contrata em março alguém que vai começar em julho, porque ninguém planeja com esse horizonte.
O Monaco contratou em outro regime. Ofereceu dois anos de contrato a um treinador de 40 e poucos anos, sem experiência europeia, com base no que ele construiu e não no que resolveria na semana seguinte. Isso é aposta em projeto, e é exatamente o tipo de decisão que o futebol brasileiro diz querer tomar e quase nunca toma.
Há um elemento que provavelmente pesou e que o mercado local subestima: Filipe Luís jogou na Europa por mais de uma década, em Atlético de Madrid e Chelsea. Ele conhece o ambiente por dentro, fala o idioma do vestiário europeu e não precisa de tradução cultural. Para um clube francês, isso reduz drasticamente o risco de uma contratação que, no papel, seria ousada.
O recado para o futebol brasileiro é incômodo. Formamos um treinador vencedor, não soubemos o que fazer com ele por quatro meses, e um clube da Ligue 1 resolveu em uma conversa. Se a preocupação é exportar técnico como exportamos jogador, o gargalo não está na qualidade de quem forma. Está em quem contrata.
