Palmeiras cita Erick Pulgar, do Flamengo, para se defender
STJD sob contestação: Palmeiras cita Erick Pulgar, do Flamengo, em defesa do meia Mauricio
O nome do volante Erick Pulgar, do Flamengo, virou peça-chave em uma polêmica nos bastidores do futebol brasileiro. No último sábado (01), o Palmeiras emitiu uma nota oficial para questionar a denúncia do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) contra o meia-atacante Mauricio. Para contestar a ação da Procuradoria, a diretoria alviverde usou como argumento lances impunes do jogador rubro-negro e também do corintiano Raniele.
No comunicado, o clube paulista enfatizou que os atletas dos times rivais cometeram infrações com impacto físico semelhante ao de seu jogador. No entanto, nem Pulgar nem Raniele foram alvos de qualquer tipo de ação por parte do tribunal. A instituição questionou abertamente os critérios adotados pelo órgão, pondo em dúvida por que a convicção individual de um procurador prevaleceu sobre a avaliação feita pela arbitragem em campo e pelo VAR.
A nota alviverde ressaltou a falta de isonomia nas decisões da justiça desportiva brasileira. "Diferentemente do que fez com Mauricio, no entanto, o STJD respeitou as decisões da arbitragem envolvendo os jogadores de Flamengo e Corinthians. Chegamos, assim, à inevitável pergunta: por que somente Mauricio será julgado?", apontou um trecho do documento divulgado. Em seguida, o texto reforçou que não existe justiça quando faltas idênticas recebem tratamentos totalmente distintos.
O lance que gerou a denúncia ocorreu na goleada por 4 a 0 do Palmeiras sobre o Vitória, em Salvador, em dividida entre Mauricio e o zagueiro Cacá. Na ocasião, a tecnologia do VAR analisou a jogada e optou por não interferir na decisão do árbitro. Curiosamente, a mesma partida teve as expulsões de Cacá e Luan Cândido confirmadas pelo vídeo, atuação que havia sido defendida publicamente pelo clube paulista na quinta-feira anterior.
O desentendimento sobre o caso Mauricio é mais um capítulo do clima tenso entre o Palmeiras e o tribunal. A relação entre a diretoria e a entidade segue desgastada desde a suspensão de oito jogos aplicada ao técnico Abel Ferreira. O debate interno sobre a disparidade nos julgamentos aumentou consideravelmente após episódios recentes envolvendo outros atletas conhecidos do futebol nacional, como Allan e Paulinho.
Do ponto de vista jurídico, Mauricio foi enquadrado no artigo 254 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que prevê punições para casos de "conduta violenta". O julgamento do atleta está agendado para a manhã da próxima terça-feira (04). A diretoria acompanha a situação de perto e busca evitar um prejuízo técnico no elenco.
Caso o meia-atacante não seja absolvido nesta primeira audiência, o departamento jurídico palmeirense já definiu os passos seguintes. O clube pretende recorrer ao Tribunal Pleno, que representa a última instância da justiça desportiva no Brasil. A expectativa da diretoria é conseguir reverter a acusação e garantir a liberação do jogador para as partidas seguintes.
