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Três brasileiros na semifinal: a Libertadores virou um campeonato de um país só

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As semifinais da Libertadores de 2026 têm Flamengo, Fluminense, Palmeiras e Estudiantes. Três dos quatro classificados são brasileiros, e essa proporção deixou de ser notícia porque virou rotina. É justamente por ter virado rotina que vale parar e olhar o que ela significa.

A Libertadores foi, por décadas, o torneio em que o futebol brasileiro se via como um entre vários. Argentinos, uruguaios, paraguaios e colombianos ganhavam, e ganhavam com frequência. O que mudou não foi o talento — foi o dinheiro. A distância entre a receita de um grande brasileiro e a de um grande argentino se abriu de tal forma que a competição esportiva passou a refletir a competição financeira.

O caso do Flamengo é o extremo dessa curva. Só de patrocínio máster o clube recebe R$ 268,5 milhões por ano. Esse valor isolado é maior que o orçamento anual inteiro de boa parte dos clubes que disputam a Libertadores. Não é preciso nenhum argumento sofisticado para explicar por que três brasileiros chegam à semifinal: eles compram os melhores jogadores do continente, inclusive dos adversários que enfrentam.

Há uma consequência que o torcedor brasileiro tende a não considerar, e ela é ruim para nós. Um torneio previsível perde valor. Se a Libertadores virar um Brasileirão com convidados, o produto se desvaloriza — nos direitos de transmissão, no patrocínio, no interesse internacional. A hegemonia que parece vitória hoje corrói exatamente a competição que dá prestígio ao título.

O Estudiantes é, nesse quadro, mais do que um adversário. É o que restou da resistência. E é por isso que a semifinal do Flamengo carrega um peso que a tabela não mostra: ganhar dela confirma a hegemonia, perder dela é a única coisa que ainda torna a Libertadores interessante de assistir.

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